quinta-feira, 14 de julho de 2011

A existência humana deve ser alguma espécie de equívoco ...

«Podemos classificar a vida como um episódio que perturba inutilmente a bem-aventurada tranquilidade do nada.»

(Arthur Schopenhauer)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Poema de sete faces

...

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

...

(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os Ombros Suportam o Mundo ...

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

( Carlos Drummond de Andrade )

domingo, 3 de julho de 2011

Fé e razão ...

"A meio caminho entre a fé e a crítica está a estalagem da razão. A razão é a fé no que se pode compreender sem fé; mas é uma fé ainda, porque compreender envolve pressupor que há qualquer coisa compreensível."


(Fernando Pessoa)

Temos dentro de nós ... Mas não aceitamos nos outros ...

Todos nós temos uma prodigiosa parcialidade em favor de nós mesmos, e, se déssemos sempre vazão a esses nossos sentimentos, causaríamos a maior indignação uns aos outros, não somente pela presença imediata de um objeto de comparação tão desagradável, mas também pela contrariedade dos nossos respectivos juízos. Assim, do mesmo modo que estabelecemos o direito natural para assegurar a propriedade dentro da sociedade e impedir o choque entre interesses pessoais, também estabelecemos as regras da boa educação, a fim de impedir o choque entre os orgulhos dos homens e tornar o seu relacionamento agradável e inofensivo. Nada é mais desagradável que um homem com uma imagem presunçosa de si mesmo, embora quase todo o mundo tenha uma forte inclinação para esse vício.


(David Hume)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Revolução ...

"Só é realmente revolucionário o estado pré-revolucionário, aquele em que os espíritos se consagram ao duplo culto do futuro e destruição. Enquanto uma revolução é apenas uma possibilidade, ela transcende os dados e as constantes da história, ultrapassa por assim dizer o seu espaço. Mas a partir do momento em que se instaura, retorna e se conforma a ele, prolongando o passado, segue sua rotina. Não há anarquista que não esconda, no mais fundo de suas revoltas, um reacionário que espera a sua hora, a hora da tomada do poder".

(Emil Cioran)

sábado, 18 de junho de 2011

A consciência de Zeno ...

Talvez por meio de uma catástrofe inaudita, provocada pelos artefatos, havemos de retornar à saúde. Quando os gases venenosos já não bastarem, um homem feito como todos os outros, no segredo de uma câmara qualquer neste mundo, inventará um explosivo incomparável, diante do qual os explosivos de hoje serão considerados brincadeiras inócuas. E um outro homem, também feito da mesma forma que os outros, mas um pouco mais insano que os demais, roubará esse explosivo e penetrará até o centro da Terra para pô-lo no ponto em que seu efeito possa ser o máximo. Haverá uma explosão enorme que ninguém ouvirá, e a Terra, retornando à sua forma original de nebulosa, errará pelos céus, livre dos parasitas e das enfermidades.

(Italo Svevo)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Covardia e coragem ...

«Muitos seriam covardes se tivessem coragem suficiente.»

(Thomas Fuller)

domingo, 5 de junho de 2011

Deus não ama os homens ...

Outra limitação do Deus aristotélico consiste em que ele é objeto de amor, mas não ama (ou, no máximo, só ama a si mesmo). Os indivíduos, enquanto tais, não são objeto do amor divino: Deus não se volta para os homens e muito menos para o homem individual. Cada um dos homens, como cada coisa, tende de vários modos para Deus, mas Deus, como não pode conhecer, também não pode amar nenhum dos homens individuais.
Em outros termos: Deus só é amado e não, também, amante; ele é objeto e não também sujeito de amor. Para Aristóteles, assim como para Platão, é impensável que Deus ame alguma coisa (qualquer coisa além de si), dado que amor é sempre tendência a possuir algo do qual se é privado, e Deus não é privado de nada. Ademais, Deus não pode amar, porque é inteligência pura e, segundo Aristóteles, a inteligência pura é impassível e, como tal, não ama.

(Giovanni Reale)

domingo, 29 de maio de 2011

Não se pode amar e conhecer ao mesmo tempo ...


Não se pode amar e conhecer ao mesmo tempo, sem que o amor padeça e expire sob o olhar do espírito. Investigue suas admirações, perscrute os beneficiários de seu culto e os que se aproveitam de seus abandonos: sob seus pensamentos mais desinteressados descobrirá o amor-próprio, o aguilhão da glória, a sede de domínio e de poder.



( Emil Cioran )

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Direito de ser nada ...

Ao contrário dos caminhos da perseverança, cheios de porteiras, travas, enganos e becos sem saída, o caminho da desistência está sempre livre para nós.

(eu por eu mesmo, plagiando)

terça-feira, 17 de maio de 2011

A crença no paraíso ou na vida após a morte é um "conto de fadas" ...

"Eu considero o cérebro como um computador que vai parar de trabalhar quando seus componentes falharem. Não há paraíso ou vida após a morte para computadores que quebram. Isso é um conto de fadas para pessoas que têm medo do escuro".


(Stephen Hawking)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Atendendo a pedidos ...

POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


(Álvaro de Campos)

sábado, 14 de maio de 2011

Realmente ...

"O inferno são os outros !"

(Jean-Paul Sartre)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sobre aquela "outra vida" ...

Somos os peões deste jogo do xadrez
que Deus trama. Ele nos move, lança-nos
uns contra os outros, nos desloca, e depois
nos recolhe, um a um, à Caixa do Nada.



Um dia pedi a um velho sábio
que me falasse sobre os que já se foram.
Ele disse:
Não voltarão. Eis o que sei.



Cansado de perguntar aos sábios, perguntei à taça:
para onde irei depois da morte?
Ela me respondeu baixinho: Bebe em minha boca,
bebe longamente: não voltarás.



(Omar Khayyam)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A última edição será entregue aos vermes ...

"Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."

( Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis )

terça-feira, 3 de maio de 2011

Três axiomas sobre o universo ...

I. Tudo é engano.
II. Nada vale a pena.
III. Tudo cansa.

( eu por eu mesmo )

domingo, 1 de maio de 2011

1º de Maio ... Dia do trabalho: um contrassenso entre a liberdade e a escravidão ...

“Tudo o que o homem faz me parece artificial e inútil... Que absurdo, um macaco que vai ao escritório. Confinar-se num quarto, dirigir-se à mesa de trabalho, ficar lá durante horas...Não, a última das bestas está bem mais próxima da verdade que o homem...”


“Aonde quer que eu vá, sinto-me um estrangeiro. Todo mundo me parece demasiadamente positivo, demasiadamente profissional. Eu não pertenço à sociedade, e eu bem que gostaria de me evadir da espécie”

(Emil Cioran)

Quem não ama a solidão, não ama a liberdade ...

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças, pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas. Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.
Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.


(Arthur Schopenhauer)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Da série : «Grandes Perguntas» ...

«E se a existência for para nós um exílio e o Nada uma pátria?»

(Emil Cioran)

domingo, 24 de abril de 2011

Sabedoria é, acima de tudo, desejo de emancipação ...

"A esfera da consciência reduz-se na ação; por isso ninguém que aja pode aspirar ao universal, porque agir é agarrar-se às propriedades do ser em detrimento do Ser, a uma forma de realidade em prejuízo da Realidade. O grau da nossa emancipação mede-se pela quantidade das iniciativas de que nos libertamos, bem como pela nossa capacidade de converter em não-objeto todo o objeto."

(Emil Cioran)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Esperança, persistência e falta de informação ...

"Se Noé tivesse recebido o dom de ler o futuro, não há dúvida de que ele mesmo teria afundado a arca!"

(Emil Cioran)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

1º de Abril ... Todo dia é dia da mentira ...

Aceito a vida por cortesia: a revolta perpétua é de tão mau gosto como o sublime do suicídio. Aos vinte anos se rompe em impropérios contra os céus e a imundície que está sob ele... depois se cansa. A pose trágica só corresponde à puberdade prolongada e ridícula; mas são necessárias mil provas para alcançar o histrionismo do desapego. Quem - emancipado de todos os princípios de costume - não dispusesse de nenhum dom de comediante, seria o arquétipo do infortúnio, o ser idealmente desgraçado. É inútil construir tal modelo de franqueza: a vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se põe nela. Tal modelo seria a ruína da sociedade, pois a "doçura" de viver em comum reside na impossibilidade de dar livre curso ao infinito de nossos pensamentos ocultos. É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros. Quem não aceitasse mentir veria a terra fugir sob seus pés: estamos biologicamente obrigados ao falso. Não há herói moral que não seja ou pueril, ou ineficaz, ou inautêntico; pois a verdadeira autenticidade é o aviltamento na fraude, no decoro da adulação pública e da difamação secreta. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um "eu" sem envergonhar-se. A dissimulação arrasta tudo o que vive, desde o troglodita até o cético. Como só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres, precisar o fundo das coisas e dos seres é perecer. Conformemo-nos a um nada mais agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade...

( Emil Cioran )

quarta-feira, 16 de março de 2011

O estrangeiro ...

"Quem me dera não ter de viver entre os homens da quinta raça. Melhor seria se houvesse morrido ou nascido depois, por que agora é a raça do ferro. Nunca deixarão de trabalhar e de sofrer durante o dia, definhando à noite. Os deuses lhes darão pesadas angústias, e para eles os bens virão misturados aos males."
( Trabalhos e Dias - Hesíodo )

domingo, 6 de março de 2011

Só as pedras sabem o que é paz ...

O máximo que se consegue retirar da vida são aqueles raros momentos em que não somos nem tristes nem alegres. A tristeza torna por demais clara toda a nossa miséria ... e toda alegria nada faz mais que preceder uma tristeza.
(eu por eu mesmo)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Toda a infelicidade dos homens provém da esperança ( Camus ) ...

Pandora trouxe o vaso que continha os males e o abriu. Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado "vaso da felicidade". E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando: desde então vagueiam e prejudicam os homens dia e noite. Um único mal ainda não saíra do recipiente; então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e ele permaneceu dentro. O homem tem agora para sempre o vaso da felicidade, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui; este se acha à sua disposição: ele o abre quando quer; pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males, e para ele o mal que restou é o maior dos bens - é a esperança. - Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a se deixar torturar. Para isso lhes deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens.

( Friedrich Nietzsche, "Humano, demasiado humano" - Uma dica do meu amigo André)

Nunca aprendemos nada ...

Quando Jesus chegou ao campo, Pastor olhou-o fixamente e perguntou, A ovelha, e ele respondeu, Encontrei Deus, Não te perguntei se encontraste Deus, perguntei-te se achaste a ovelha, Sacrifiquei-a, Porquê, Deus estava lá, teve que ser. Com a ponta do cajado, Pastor fez um risco no chão, fundo como um rego de arado, intransponível, como uma vala de fogo, depois disse, Não aprendeste nada, vai !
(O Evagelho segundo Jesus Cristo - José Saramago )

sábado, 19 de fevereiro de 2011

É o acaso cego e não a justiça lúcida o que determina a sorte dos que vivem ...

Viver era como correr em círculo num grande labirinto, esse gênero de labirinto para crianças que se vê em certos parques de jogos modernos; em cima de uma pedra no meio do labirinto há uma pedra brilhante; os míudos chegam com as faces coradas, cheios de uma fé inabalável na honestidade do labirinto e começam a correr com a certeza de alcançarem dentro de pouco tempo o seu alvo. Corremos, corremos, e a vida passa, mas continuaremos a correr na convicção de que o mundo acabará por se mostrar generoso para quem correr sem desânimo, e quando por fim descobrimos que o labirinto só aparentemente tende para o ponto central, é tarde demais - de fato, o construtor do labirinto esmerou-se a desenhar várias pistas diferentes, das quais só uma conduz à pérola, de modo que é o acaso cego e não a justiça lúcida o que determina a sorte dos que correm.

( Stig Dagerman )

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A necessidade de consolo que o ser humano possui é insaciável ...

“Não me foi dado em herança nem um Deus nem um local firme na Terra a partir do qual pudesse chamar a atenção de Deus e nem tampouco herdei o furor dissimulado do céptico, nem a astúcia do racionalista, nem a ardente candura do ateu. Por essa razão não me atrevo a atirar a pedra a quem crê em coisas das quais duvido, nem a quem idolatra a dúvida como se esta não estivesse rodeada de incertezas. Esta pedra iria alcançar-me a mim mesmo já que estou convencido de uma coisa: a necessidade de consolo que o ser humano possui é insaciável.”
(Stig Dagerman)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O senhor das moscas ...

"No meio deles, com o corpo sujo, cabelo emaranhado e nariz escorrendo, Ralph chorou pelo fim da inocência, pela escuridão do coração humano ..."

(William Golding)