quarta-feira, 16 de março de 2011

O estrangeiro ...

"Quem me dera não ter de viver entre os homens da quinta raça. Melhor seria se houvesse morrido ou nascido depois, por que agora é a raça do ferro. Nunca deixarão de trabalhar e de sofrer durante o dia, definhando à noite. Os deuses lhes darão pesadas angústias, e para eles os bens virão misturados aos males."
( Trabalhos e Dias - Hesíodo )

domingo, 6 de março de 2011

Só as pedras sabem o que é paz ...

O máximo que se consegue retirar da vida são aqueles raros momentos em que não somos nem tristes nem alegres. A tristeza torna por demais clara toda a nossa miséria ... e toda alegria nada faz mais que preceder uma tristeza.
(eu por eu mesmo)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Toda a infelicidade dos homens provém da esperança ( Camus ) ...

Pandora trouxe o vaso que continha os males e o abriu. Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado "vaso da felicidade". E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando: desde então vagueiam e prejudicam os homens dia e noite. Um único mal ainda não saíra do recipiente; então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e ele permaneceu dentro. O homem tem agora para sempre o vaso da felicidade, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui; este se acha à sua disposição: ele o abre quando quer; pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males, e para ele o mal que restou é o maior dos bens - é a esperança. - Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a se deixar torturar. Para isso lhes deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens.

( Friedrich Nietzsche, "Humano, demasiado humano" - Uma dica do meu amigo André)

Nunca aprendemos nada ...

Quando Jesus chegou ao campo, Pastor olhou-o fixamente e perguntou, A ovelha, e ele respondeu, Encontrei Deus, Não te perguntei se encontraste Deus, perguntei-te se achaste a ovelha, Sacrifiquei-a, Porquê, Deus estava lá, teve que ser. Com a ponta do cajado, Pastor fez um risco no chão, fundo como um rego de arado, intransponível, como uma vala de fogo, depois disse, Não aprendeste nada, vai !
(O Evagelho segundo Jesus Cristo - José Saramago )

sábado, 19 de fevereiro de 2011

É o acaso cego e não a justiça lúcida o que determina a sorte dos que vivem ...

Viver era como correr em círculo num grande labirinto, esse gênero de labirinto para crianças que se vê em certos parques de jogos modernos; em cima de uma pedra no meio do labirinto há uma pedra brilhante; os míudos chegam com as faces coradas, cheios de uma fé inabalável na honestidade do labirinto e começam a correr com a certeza de alcançarem dentro de pouco tempo o seu alvo. Corremos, corremos, e a vida passa, mas continuaremos a correr na convicção de que o mundo acabará por se mostrar generoso para quem correr sem desânimo, e quando por fim descobrimos que o labirinto só aparentemente tende para o ponto central, é tarde demais - de fato, o construtor do labirinto esmerou-se a desenhar várias pistas diferentes, das quais só uma conduz à pérola, de modo que é o acaso cego e não a justiça lúcida o que determina a sorte dos que correm.

( Stig Dagerman )

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A necessidade de consolo que o ser humano possui é insaciável ...

“Não me foi dado em herança nem um Deus nem um local firme na Terra a partir do qual pudesse chamar a atenção de Deus e nem tampouco herdei o furor dissimulado do céptico, nem a astúcia do racionalista, nem a ardente candura do ateu. Por essa razão não me atrevo a atirar a pedra a quem crê em coisas das quais duvido, nem a quem idolatra a dúvida como se esta não estivesse rodeada de incertezas. Esta pedra iria alcançar-me a mim mesmo já que estou convencido de uma coisa: a necessidade de consolo que o ser humano possui é insaciável.”
(Stig Dagerman)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O senhor das moscas ...

"No meio deles, com o corpo sujo, cabelo emaranhado e nariz escorrendo, Ralph chorou pelo fim da inocência, pela escuridão do coração humano ..."

(William Golding)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O final é sempre Waterloo ...

"Todas as personagens e todas as pessoas nasceram para a derrota. Podemos interromper a trajetória de um personagem num instante de triunfo mas, se continuamos, o final é sempre Waterloo."

(Juan Carlos Onetti)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros."

"As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco."
( A Revolução dos Bichos - George Orwell )

domingo, 16 de janeiro de 2011

Da série : "Perguntas" ...

Como encontrar em outra pessoa algo que o universo inteiro não nos pôde oferecer ?

( eu por eu mesmo )

1985: O ano em que fiz contato ...


( eu por eu mesmo )

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Big Brother

No pesadelo burocrático de Orwell a tela observa os idiotas. No pesadelo global os idiotas observam a tela. Mas em ambos a tela é mera interface entre duas idiotices.
( eu por eu mesmo )

domingo, 2 de janeiro de 2011

Conselho para 2011 ...

Não faça grandes e belos planos ... Eles não vão acontecer ...


http://www.youtube.com/watch?v=1ky1td3_6LY


(eu por eu mesmo com a ajuda do Thom)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Falta-nos uma pedagogia da morte, da solidão e do fracasso ...

Ao nascermos, iniciamos uma luta que só termina com a morte. De que serve aprender a conduzir melhor o seu carro quando se está no fim da estrada? Então, já não resta senão pensar em como sair dele. O estudo de um velho, se é que ainda tem algo a estudar, consiste unicamente em aprender a morrer, e é precisamente o que menos se faz na minha idade, em que se pensa em tudo menos nisso. Os velhos estão mais agarrados à vida do que as crianças e saem dela com mais má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos se destinaram a essa mesma vida, ao chegarem ao fim, vêem que os seus esforços foram inúteis. Todos os seus cuidados, todos os seus bens, todos os frutos das suas laboriosas vigílias, tudo abandonam quando partem. Em vida, não pensaram em adquirir algo que pudessem levar consigo quando morressem.

(Jean-Jacques Rousseau, em 'Os Devaneios do Caminhante Solitário' )

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Homem é um animal afetivo ou sentimental, não racional ...

O homem, dizem, é um animal racional. Não sei por que não se disse que é um animal afetivo ou sentimental. E que, talvez, o que o diferencia dos outros animais, seja mais o sentimento do que a razão. Vi mais vezes um gato raciocinar, do que rir ou chorar. Pode ser que chore ou ria por dentro mas, por dentro, talvez também o caranguejo resolva equações de segundo grau. E, assim, o que mais nos deve importar num filósofo é o homem.

(Miguel de Unamuno)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Protágoras ...

O mundo carece de uma pitada de justiça e de lógica. Não há nada lá fora. A planície das idéias não passa de um deserto estéril e inútil. No fundo era um sofista que tinha razão: o homem é a medida de todas as coisas e disto concluímos que não há grandeza nas coisas - e muito menos no homem.
(eu por eu mesmo)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ah! Se soubessem o que eu sei ...

Esses Moços, Pobres Moços

http://www.youtube.com/watch?v=Aicv3wq1xYw

Esses moços pobres moços
Ah! Se soubessem o que eu sei
Não amavam..
Não passavam aquilo que eu já passei
Por meus olhos
Por meus sonhos
Por meu sangue tudo enfim
É que eu peço a esses moços
Que acreditem em mim
Se eles julgam
Que a um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno
A procura de luz
Eu também tive nos meus belos dias
Essa mania que muito me custou
E só as mágoas eu trago hoje em dia
E essas rugas que o amor me deixou!

(Lupicínio Rodrigues)

sábado, 11 de dezembro de 2010

O sentido do mundo não nos é acessível ...

O sentido do mundo deve ser encontrado fora do mundo. No mundo, todas as coisas são como são e produzem-se da forma que se produzem: não existe valor nele - e, caso houvesse algum, este não teria valor.
(Ludwig Wittgenstein, em 'Tratado Lógico-Filosófico)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Perguntas ...

Quantas mentiras são necessárias para se produzir uma verdade ?

(eu por eu mesmo)

O objeto do marketing ...

Imbecilidade e consumo ...

(eu por eu mesmo)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Não há remédio para o nascimento ... A vida é uma doença incurável ...

O Inferno é um refúgio comparado com este desterro no tempo, com esta languidez vazia e prostrada onde nada nos detém a não ser o espetáculo do universo que se caria sob nossos olhos. Que terapêutica empregar contra uma doença de que não nos lembramos mais e cujas conseqüências usurpam nossos dias? Como inventar um remédio para a existência, como concluir esta cura sem fim? E como recuperar-se do nascimento ?
(Emil Cioran)

Sobre o trabalho ...

Não por acaso, a palavra "trabalho" vem de tripalium, que era um instrumento de tortura.

(Fernando Savater)

sábado, 27 de novembro de 2010

Perseverar ou desistir ?

Quem não conheceu a tentação de ser o primeiro na cidade nada compreenderá do jogo político, da vontade de submeter os outros para deles fazer objetos, nem adivinhará os elementos de que é composta a arte do desprezo. A sede de poder - raros são os que não a tenham num grau ou noutro experimentado - é-nos natural, e contudo, se a considerarmos melhor, assume todos os aspectos de um estado mórbido do qual apenas nos curamos por acidente ou então por meio de um amadurecimento interior, parecido com o que se operou em Carlos V quando, ao abdicar em Bruxelas, no topo da sua glória, ensinou ao mundo que o excesso de cansaço podia suscitar cenas tão admiráveis quanto o excesso de coragem. Mas, anomalia ou maravilha, a renúncia - desafio às nossas contantes, à nossa identidade - sobrevém somente em momentos excepcionais, caso limite que satisfaz o filósofo e perturba profundamente o historiador.

( Emil Cioran, em 'História e Utopia' )

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A máquina do desespero ...

O cérebro é uma máquina que transforma – continuamente – esperança em desespero.

(eu por eu mesmo)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cavalinho metafísico ...

Esta história de mulheres! Que pena que não se possa cortar aquilo fora ou ser pelo menos como os animais: minutos de feroz luxúria e meses de gelada castidade. Considere um falcão, por exemplo, pula para a traseira da fêmea, sem sequer se preocupar se ela lhe dá licença ou não. E tão logo tenha terminado, todo assunto já não estará mais na sua mente. Dificilmente até notará as fêmeas ao seu redor, chega mesmo a ignorá-las ou apenas dá-lhes umas bicadas se chegarem muito perto da sua comida. Também não é chamado a sustentar seus rebentos. Falcão de sorte! Quão diferente é o assunto para o rei da criação, sempre a oscilar entre sua memória e sua consciência!

( George Orwell em Mantenha o Sistema )

sábado, 13 de novembro de 2010

Lembre-se: Esta é a parte que lhe cabe deste latifúndio chamado vida ...



Não terás paz na terra, e é tolice acreditar
no repouso eterno. Depois da morte
teu sono será breve: renascerás na erva
que será pisada, ou na flor que murchará.



( Omar Khayyam )

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para falar a língua dos homens ou dos anjos é preciso dinheiro ...

Todas as relações humanas devem ser compradas com dinheiro. Se você não tem dinheiro, os homens não lhe dão importância e as mulheres não o amam: não chegarão a apreciá-lo e a amá-lo nem sequer pelo mínimo necessário. E como estão certos, afinal de contas! Porque, não tendo dinheiro, você não inspira amor. Embora eu fale as línguas dos homens e dos anjos. Mas acontece que, se não tenho dinheiro, não falo as línguas dos homens e dos anjos.

(George Orwell em Mantenha o sistema)

domingo, 7 de novembro de 2010

Não nascemos para suportar a verdade ...

É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros. Quem não aceitasse mentir veria a terra fugir sob seus pés: estamos biologicamente obrigados ao falso. Não há herói moral que não seja ou pueril, ou ineficaz, ou inautêntico; pois a verdadeira autenticidade é o aviltamento na fraude, no decoro da adulação pública e da difamação secreta. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um “eu” sem envergonhar-se. A dissimulação arrasta tudo o que vive, desde o troglodita até o cético. Como só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres, precisar o fundo das coisas e dos seres é perecer; conformemo-nos a um nada mais agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade…
(Emil Cioran)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O mal do mundo ...

O mal do mundo é que os sábios vivem cheios de dúvidas e os imbecis cheios de certezas.

( Bertrand Russell )

terça-feira, 2 de novembro de 2010