domingo, 20 de junho de 2010

Ao vivo é muito pior ...

...

Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém...

Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer!
A vida é muito pior...

...

( Belchior )

sábado, 19 de junho de 2010

Sobre as verdades da vida ...

  • Um pessimista é um homem que diz a verdade prematuramente.
  • As verdades consoladoras devem ser demonstradas duas vezes.
  • É raro que estejamos completamente inocentes dos nossos sofrimentos.
  • Como é preciso gostar de alguém para preferi-lo à sua ausência!
  • A vida desaloja-nos aos poucos de todos os lugares.
( Jean Rostand )

About love ...

Aqueles que falam das alegrias do amor, por certo, nunca amaram. Amar um ser é senti-lo necessário, portanto, sentirmo-nos nós próprios numa incessante precariedade.

( Jean Rostand )

domingo, 13 de junho de 2010

Toda compreensão é triste ...

Aquele que depois de ter compreendido não se sentiu um pouco mais triste não compreendeu nada.

( Inspiração ciorânica )

domingo, 23 de maio de 2010

O mundo foi feito para ser sentido e não para ser conhecido ...

Eis aí também as árvores e conheço suas rugas, eis a água e experimento-lhe o sabor. Esses perfumes de relva e estrelas, a noite, certas tardes em que o coração se descontrai, como eu negaria o mundo de que experimento o poder e as forças? Contudo, toda a ciência dessa terra não me dará nada que me possa garantir que este mundo é pára mim. Vocês o descrevem e me ensinam a classificá-lo. Vocês enumeram suas leis e, na minha sede de saber, concordo que elas sejam verdadeiras. Vocês desmontam seu mecanismo e minha esperança aumenta. Por último, vocês me ensinam que esse universo prestigioso e colorido se reduz ao átomo e que o próprio átomo se reduz ao elétron. Tudo isso é bom e espero que vocês continuem. Mas vocês me falam de um invisível sistema planetário em que os elétrons gravitam ao redor de um núcleo. Vocês me explicam esse mundo com uma imagem. Reconheço, então, que vocês enveredam pela poesia: nunca chegarei ao conhecimento. Tenho tempo para me indignar com isso? Vocês já mudaram de teoria. Assim, essa ciência que devia me ensinar tudo se limita à hipótese, essa lucidez se perde na metáfora, essa certeza se resolve como obra de arte. Para o que é que eu precisava de tantos esforços? As doces curvas dessas colinas e a mão da tarde sobre este coração agitado me ensinam muito mais. Compreendo que se posso, com a ciência, me apoderar dos fenômenos e enumerá-los, não posso da mesma forma apreender o mundo. Quando tiver seguido com o dedo todo o seu relevo, não saberei nada, além disso. E vocês me levam a escolher entre uma descrição que é certa, mas que não me informa nada, e hipóteses que pretendem me ensinar, mas que não são certas. Estranho diante de mim mesmo e diante desse mundo, armado de todo o apoio de um pensamento que nega a si mesmo a cada vez que afirma, qual é essa condição em que só posso ter paz com a recusa de saber e de viver, em que o desejo da conquista se choca com os muros que desafiam seus assaltos? Querer é suscitar os paradoxos. Tudo é organizado para que comece a existir essa paz envenenada que nos dão a negligência, o sono do coração ou as renúncias mortais.
( Abert Camus )

domingo, 16 de maio de 2010

O coração espera sempre ...

Os homens dizem «tudo passa», mas quantos captam o alcance desta aterradora banalidade? Quantos fogem da vida, a cantam ou a choram? Quem não está imbuído da convicção de que tudo é vão? Mas quem ousa afrontar suas conseqüências? O homem com vocação metafísica é mais raro que um monstro e no entanto, cada homem contém virtualmente os elementos dessa vocação. Bastou a um príncipe indiano ver um inválido, um velho e um morto para compreender tudo; nós que também os vemos não compreendemos nada, pois nada muda em nossa vida. Não podemos renunciar a coisa nenhuma; contudo, as evidências da vaidade estão ao nosso alcance. Enfermos da esperança, esperamos sempre; e a vida é apenas uma espera hipostasiada. Esperamos tudo, inclusive o nada, antes de ser reduzidos a uma suspensão eterna, a uma condição de divindade neutra ou de cadáver. Assim, o coração que se formou num axioma do Irreparável, espera todavia surpresas. A humanidade vive amorosamente nos sucessos que a negam...
( Emil Cioran )

domingo, 2 de maio de 2010

Todos serão sorteados ...

A vida é um jogo monótono que dá dois prêmios:
A Dor e a Morte.
Feliz a criança que expirou ao nascer;
mais feliz quem não veio ao mundo.


(Omar Khayyam)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O homem revoltado ...

"A revolta nasce do espetáculo da desrazão diante de uma condição injusta e incompreensível".

( Albert Camus )

sábado, 10 de abril de 2010

O Paradoxo da Verdade


O homem deseja e odeia a verdade. Quer mentir aos outros - quer que o enganem, prefere a ficção à realidade, mas por outro lado receia o engano, quer o fundo das coisas, o verdadeiro verdadeiro. Somente a razão conduz à verdade. Mas só os fanáticos, os visionários e os iluminados fazem as coisas grandiosas, as mudanças, as descobertas. A verdade, de tanto se tornar necessária, conduz à secura, à dúvida, à inércia - à morte. É muito natural que os homens odeiem aqueles que dizem ou tentam dizer a verdade. A verdade é triste - mas, com maior freqüência, é horrível, temível, anti-social. Ela destrói as ilusões, os afetos. Os homens defendem-se como podem. Isto é, defendem a sua pequena vida, apenas suportável à força de compromissos, de embustes e de ficções. Não querem sofrer, não querem ser heróis. Rejeitam o heroísmo em função da mentira.

( Giovanni Papini, em 'Relatório Sobre os Homens')

domingo, 4 de abril de 2010

A Criação ...

Uma piada que não deu certo. Era para ser comédia ... Virou tragédia ...

( eu por eu mesmo )

domingo, 28 de março de 2010

A Memória é o Maior Tormento do Homem

Considera o rebanho que passa ao teu lado pastando: ele não sabe o que é ontem e o que é hoje; ele saltita de lá para cá, come, descansa, digere, saltita de novo; e assim de manhã até a noite, dia após dia; ligado de maneira fugaz por isto, nem melancólico nem enfadado. Ver isto desgosta duramente o homem porque ele vangloria-se da sua humanidade frente ao animal, embora olhe invejoso para a sua felicidade - pois o homem quer apenas isso, viver como animal, sem melancolia, sem dor; e o que quer entretanto em vão, porque não quer como o animal. O homem pergunta mesmo um dia ao animal: por que não falas sobre a tua felicidade e apenas me observas?
O animal quer também responder e falar, isso deve-se ao fato de que sempre se esquece do que queria dizer, mas também já esqueceu esta resposta e silencia: de tal modo que o homem se admira disso. Todavia, o homem também se admira de si mesmo por não poder aprender a esquecer e por sempre se ver novamente preso ao que passou: por mais longe e rápido que ele corra, a corrente corre junto. É um milagre: o instante em um átimo está aí, em um átimo já passou, antes um nada, depois um nada, retorna entretanto ainda como um fantasma e perturba a tranquilidade de um instante posterior. Incessantemente uma folha se destaca da roldana do tempo, cai e é carregada pelo vento - e, de repente, é trazida de volta ao colo do homem. Então, o homem diz:«eu lembro-me», e inveja o animal que imediatamente esquece e vê todo o instante realmente morrer imerso em névoa e noite e extinguir-se para sempre. Assim, o animal vive a-historicamente: ele passa pelo presente como um número, sem que reste uma estranha quebra.

(Friedrich Nietzsche)

domingo, 21 de março de 2010

Mas isso nada adianta ...

A saudade que em mim desperta o jogo das letras prova como isto foi parte integrante de minha infância. O que busco nele na verdade, é ela mesma: a infância por inteiro, tal qual sabia manipular a mão que empurrava as letras no filete, onde se ordenavam como uma palavra. A mão pode ainda sonhar com essa manipulação, mas nunca mais poderá despertar para realizá-la de fato. Assim, posso sonhar como no passado aprendi a andar. Mas isso nada adianta. Hoje sei andar; porém, nunca mais poderei tornar a aprendêlo.
(Walter Benjamin)

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Anjo que observa a história ...

“Há um quadro de Klee chamado Angelus Novus. Representa um anjo que parece a ponto de afastar-se para longe daquilo a que está olhando fixamente. Seus olhos estão arregalados, sua boca aberta, suas asas estendidas. O anjo da história deve ter este aspecto. Seu rosto está voltado para o passado. Onde diante de nós aparece um encadeamento de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que vai empilhando incessantemente escombros sobre escombros, lançando-os diante de seus pés. O anjo bem que gostaria de se deter, despertar os mortos e recompor o que fora feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso e se prende em suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar. A tempestade irresistivelmente o impele ao futuro, para o qual ele dá as costas, enquanto o monte de escombros cresce até o céu diante dele. O que chamamos de Progresso é esta tempestade.”

(Walter Benjamim)

sexta-feira, 12 de março de 2010

O cérebro ...

A máquina do engano.

( eu por eu mesmo )

terça-feira, 9 de março de 2010

Provocações ...

«O que você espera encontrar depois da morte além de um silencioso e eterno nada ?»

(Abujamra no seu programa de TV)

terça-feira, 2 de março de 2010

Da série : É 1000 ...

Para iniciar-se na tristeza, no artesanato do Indefinido, alguns tardam um segundo, outros uma vida.
( Emil Cioran )

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Da série : Coisas qua a vida me ensinou ...

De quanto mal-entendido se compõe a nossa compreensão do mundo !
Quantas coisas eu sinto sem que existam ... Quantas coisas existem sem que eu as sinta ...

(eu por eu mesmo)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A vida que a gente leva ...

A vida é apenas aquilo que poderia ser mas não é.

(eu por eu mesmo)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sofrimento e realidade ...

Sofremos: o mundo exterior começa a existir...;
Sofremos demasiado: desaparece.
A dor o suscita unicamente para desmascarar sua ausência de realidade.
( Emil Cioran )

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A nossa solidão de cada dia ...

Nada é tão nosso quanto a nossa solidão. Por isso, saibamos usá-la como uma espécie de treinamento para a GRANDE SOLIDÃO que nos espera no fim de tudo ...
( eu por eu mesmo)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Pensamentos ao acaso ( 1 )

«Só um amor nunca acaba: aquele que nunca começou.»

( eu por eu mesmo )

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O difícil ...

O difícil é que nas minhas discussões com Deus, Ele não se cansa ... E eu já estou exausto ...

(eu por eu mesmo)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cansaço e sabedoria ...

O cansaço é uma via para a sabedoria. Cansados, distingüimos o que vale a pena e o que não vale. Antes de tomar qualquer decisão em nossa vida, deveríamos dar 50 voltas correndo ao redor do quarteirão de nossa casa.

(eu por eu mesmo - cansado, sem ter dado uma volta sequer...)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Nada a fazer ...

O que fazer quando não se consegue mais enganar ? O que fazer quando não se consegue mais ser enganado ?

( eu por eu mesmo )

domingo, 6 de dezembro de 2009

Dois conselhos para levar a vida ...

1) Botão FODA-SE em modo ON ...

2) Tratar a vida como ela nos trata: com indiferença ...

(eu por eu mesmo)

Ataraxia ...

  • Diante do agradável ou do desagradável: Impertubabilidade, ausência de inquietação ...
  • Um modo de resolver o problema pela via negativa: a única felicidade possível está na ausência do seu contrário, a dor ...
  • Indiferença diante das paixões, completo domínio das emoções ...
( eu por eu mesmo )

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Arte de Viver

A arte de viver - dado que para viver é preciso fazer sofrer os outros (ver vida sexual, ver comércio, ver qualquer atividade) - consiste em habituarmo-nos a fazer todas as patifarias sem abalar o nosso equilíbrio interior. Ser capaz de todas as patifarias é a melhor bagagem que um homem pode possuir.
( Cesare Pavese )

domingo, 8 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Por que a Sra C. será meu eterno amor ...

Porque nunca nos conhecemos suficientemente ...

( eu por eu mesmo )

Todos os caminhos levam à Roma ...

No amor todos os caminhos acabam de forma igual - desilusão.

( Oscar Wilde )